sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Trechos da entrevista da Raquel sobre a 1a temporada para o Multishow

Como começou sua paixão pelo snowboard?

Eu sempre amei viajar e me jogar mundo a fora, aos 20 anos eu juntei um dinheiro trabalhando em uma loja onde passavam muitos vídeos de snowboard. Na época aquilo parecia algo de outro mundo pra mim, fiquei muito curiosa e decidi ir pra Lake Tahoe na Califórnia e conferir o que era aquilo. Foi a primeira vez que vi neve na minha vida e desde então nunca mais consegui parar de pensar nela. Fiquei completamente apaixonada e viciada pelo snowboard. Depois de Tahoe, em outra longa jornada, trabalhando e viajando em países diversos, eu parei três meses na Nova Zelândia onde pude fazer snow por uns bons felizes dias.

Ano passado durante uma aventura de dois dias sozinha em Bariloche eu fiz uns amigos argentinos que me falaram de Andorra, nunca tinha ouvido falar de Andorra e no mesmo dia que cheguei ao Brasil, coincidência ou não, conheci o Bruno Farinha da empresa Slidein que leva a galera de Portugal pra Andorra todos os anos pra treinar manobras e fazer umas excursões nos foras de pista ou freeride. Deu aquele arrepio no corpo todo, e naquele momento bateu a sensação de que tinha que ir pra lá. Então corri atrás de tudo e fui no pra Europa no dia do Natal passar uns dias. Fiz vários amigos e me animei pra voltar e fazer o SnowCamp de 5 dias em fevereiro. Assim começou a gravação da viagem e a primeira temporada do SnowCamp. Falei com dois grandes amigos brasileiros do snow que são duas feras do esporte, o Gustavo Bauer (Guga) e o André Cywinski que estavam indo pra Europa e eles se animaram pra passar uns dias comigo em Andorra. A viagem foi maravilhosa, um sonho,muitas aventuras e desafios e tudo correu muito bem.


Qual o maior perrengue?

A idéia era ir pra Andorra e ficar desde o final de fevereiro até o fim da temporada de inverno para aproveitar e evoluir no snowboard. Mas, com a grana curta eu só pude pagar por uma semana no Camp e o maior perrengue com certeza foi conseguir nessa uma semana um trabalho para eu poder ficar mais. Idéia fixa, botei na cabeça, batalhei e consegui.


Muitas quedas?

Sim, sempre. Elas fazem parte, se ficar sem cair por muito tempo significa que não está tentando nada de novo, sem as quedas não tem evolução. No primeiro dia em Andorra fomos fazer uns foras de pista ou freeride com a equipe Slidein, tinha nevado muito nos dias anteriores, estava fazendo sol, um dia perfeito, blue Bird day. A galera achou um salto natural, eu adoro fora de pista, neve fofa, salto, mas, aquele salto era um tanto grande pra mim, mais de 4 metros. Um dos meninos de Portugal, o Allan, até me provocou e disse, se você for eu pago todas as cervejas hoje kkkkkkk. Ahhh.. eu não gosto de cerveja mas, é claro que eu ia saltar. Já dá pra saber o final não é, saltei, dei até um grab (peguei na prancha) e levei aquele tombo de vídeo cacetada kkkkkk Teve outro dia também, na linha de saltos grandes do Park, que eu demorei pra pegar a velocidade certa, primeiro muito rápido, depois muito devagar e enfim perfeita depois de dois tombos horrorosos. Importante que sai inteira.. No pain, no gain.


Você também se divertiu? Conheceu lugares? Foi pra festas?

Com certeza eu me diverti muito na viagem. Enfrentei o desconhecido e o inesperado, desafiei medos, me conectei com culturas diversas, pratiquei o esporte que mais amo, dei boas risadas, fiz bons amigos, fui a festas, fui curiosa e aprendi muito. Viajar é sempre bom mas quando você conhece lugares novos e faz parte de algo a sensação é completamente diferente, a galera do snow é muito unida, seja onde for na busca de um pico novo sempre faço garndes amigos e aprendo muito com cada um deles.


O acampamento tinha uma boa estrutura?

Apesar de chamar SnowCamp não se trata de um acampamento em barracas de camping. Os Camps de snowboard já são bem conhecidos no mundo todo, claro que não no Brasil, afinal não temos neve. A palavra Camp é utilizada para mostrar a idéia de que você está ali junto a um grupo na neve, respirando 24 horas por dia o snowboard, treinando, aprendendo, trocando experiências, vendo vídeos e se divertindo muito. Ali a única coisa que importa é o snowboad e nossa paixão por ele. Em Andorra ficamos nos apartamentos frontera blanca em frente as pistas de Pas de La casa, sem muito luxo mas com tudo que precisávamos, foi perfeito.


Você participou de um campeonato, como foi?

Eu estava com o grupo da Slidein de Portugal que organiza um campeonato português todo ano em Pas de La casa. É difícil pros brasileiros competirem com os americanos, canadenses, finlandeses, suíços e etc. Os caras crescem na neve e o nível deles é altamente elevado. Agente costuma brincar que alguns deles são alienígenas porque fazem coisas que parecem ser de outro planeta. Os brasileiros têm talento, mas temos que correr muito mais atrás pra evoluir. Alguns meninos do Brasil representam bonito agente lá fora. Contra os portugueses já dá pra ter uma disputa mais acirrada, eu e o Guga levamos o caneca nessa, foi divertido.


Viajou para outro lugares?

Depois de um mês e meio em Andorra trabalhando, guardei meus euros pra realizar um sonho, conhecer a Suíça. Fui com uns amigos pra lá passar uma semana. Andamos de snow em Laax, sem palavras pra descrever aquele lugar. Um paraíso. Ultimo dia que da estação aberta andamos de snow no snowpark do glacial e fomos ao show do Cypress Hill na festa de encerramento., incrível. Além da montanha dos sonhos eles também têm um centro de treinamento com rampas, piscinas com quadrados de espuma e camas elásticas, é perfeito. Quem sabe consigo ir pra lá no próximo inverno. Com certeza está na lista dos destinos dos meus sonhos, junto ao Japão, Canadá e Finlândia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário